2 de junho de 2011

TRICOTERAPIA

Texto enviado por Claudia Lumbau uma super tricoteira do nosso grupo do Café Tricot.



Os olhos ficam fixos no movimento dos dedos. Um, dois, três pontos... As mãos suam um pouco. O ranger da linha e da agulha inicia mais uma carreira e demonstra a vontade de vencer. É assim que os adeptos da tricoterapia encararam os desafios. Estaria aí a receita para os ansiosos exercitarem a paciência e a capacidade de se focar em um objeto? Estressados encontrariam, finalmente, uma válvula de escape para direcionar a sua tensão?

Segundo especialistas e estudiosos a terapia com o tricô pode ser considerada uma estratégia não medicamentosa que acalma não só a mente, mas também o corpo.
A atividade, tão comum desde os tempos de nossas bisavós, caiu no gosto dos jovens. Há universidades nos EUA, por exemplo, que permitem a prática até na sala de aula, alegando que ela aprimora a concentração.
As tricoteiras Wenger, Carol Abrams e Maureen Lasher, do Teen Knitting Club - que tem cinco mil afiliados, acreditam que os jovens encontraram, no tricô uma maneira de elevar a autoestima.
Atualmente, os adolescentes correspondem a 15% do clube.
Hobby, terapia ou profissão, é certo que o tricô proporciona bem-estar.
O professor de Educação Artística Arthur Fernando Drischel, da Escola Estadual Professor Luiz Gonzaga da Costa, de Campinas, interior de São Paulo, aponta diversos benefícios da tricoterapia:
- a fluência sináptica (capacidade de o cérebro fluir naturalmente);
- a coordenação cinestésica (aprimoramento da musculatura motora fina)
- a objetivação (começar e terminar as atividades).
Além disso, aumenta a sociabilização, a reflexão, o autoconhecimento, a responsabilidade e a segurança. E o melhor: é indicado para todas as idades.

TRICOTERAPIA NA PRÁTICA

Arthur já trabalha com tricoterapia há muitos anos. Ele conta que, certa vez, uma senhora, obesa e sedentária, que havia negligenciado suas capacidades cognitivas, emocionais e físicas, lançou mão do tricô para concretizar o sonho de ter um xale. "Depois de confeccionado, ela passou a ter motivos de sobra para passear no inverno", conta Arthur.
De acordo com o professor, seus alunos da 4a a 6a séries do Ensino Fundamental, envolvidos no processo da terapia, criaram familiaridade, estado de cooperação perceptível e resultados consideráveis quando comparados com outras turmas que não tiveram a oportunidade de participar dessa atividade.
Já Luiza Belver Fernandes, de Botucatu, São Paulo, técnica em biblioteca, aprendeu os seus primeiros pontinhos na 3a série. Com o falecimento da sua tia avó, o sentimento de perda foi muito grande. "Como já tinha perdido meus pais, sentia-me abandonada, querendo me isolar", conta. Mas, ao se lembrar da paixão da avó pelos bordados, resolveu aderir à tricoterapia. Aos poucos, foi se recuperando, até começar a trocar ideias, pontos e receitas com as amigas. "Os resultados da tricoterapia podem ser percebidos pela satisfação em ver um trabalho pronto, pelas amizades que se tornam essenciais e pelo orgulho de dizer que se fez a peça! Além da determinação, da habilidade com as mãos, da criatividade, da paciência e da solidariedade", diz Luiza. Há quem afirme que tricô é coisa só de mulher, mas Arthur ressalta que o método não possui nenhum tipo de preconceito quanto à participação de homens.

ARTE OU TERAPIA ?

A tricoterapia é arte ou terapia? Os estudiosos consideram os dois, e não necessariamente nesta ordem.
O tratamento é utilizado como um recurso terapêutico, tendo a arte como tema gerador do trabalho. Por consequência, a tricoterapia pode ser denominada arte-terapia, uma linha alternativa e um complemento dos trabalhos de profissionais da psicologia e medicina em geral. Os estudiosos da tricoterapia enaltecem o método, mas afirmam que o tricô praticado sem período de descanso, somente para fins comerciais, apresenta malefícios, porque a intenção é apenas lucrar com o produto, ficando a saúde em último plano.
O ideal para fazer o tricô, independentemente da finalidade, é descansar pelo menos dez minutos a cada uma hora. Durante este intervalo, é preciso movimentar e alongar a coluna, as mãos e os punhos.
Luiza alerta para a iluminação do local. "Se possível, tricote somente de dia, mas, se quiser fazer tricô à noite, procure uma sala iluminada, arejada, e mantenha a postura correia, sem forçar a coluna."

A arte do tricô manual tem sido praticada há milhares de anos. Como esta técnica foi ensinada, ainda é um mistério. Seu país de origem e a data são dados desconhecidos. Alguns autores, porém, acham que seu berço foi a Pérsia. Outros afirmam que foi Israel, Jordão e Síria, e ainda há os que dizem que foi a África do Norte. Meias tricotadas foram descobertas em tumbas egípcias datadas entre os séculos 02 e 06 d.C. Na Europa Medieval, o tricô manual representava uma importante indústria, e evoluiu em sofisticação por volta do século 16.
Originalmente, a técnica era empregada apenas para a confecção de meias femininas. A palavra tricô é de origem francesa (tricot), e significa tecer por meio de nós e laçadas. Porém, a denominação utilizada para esta arte foi dada séculos após suas origens.
O fio utilizado:
No oriente, o tricô era usado na elaboração de finíssimas rendas, verdadeiras obras de arte! O fio utilizado era de seda pura, produzida pelo bicho-da-seda.
Dada a sua fragilidade, era uma tarefa extremamente elaborada, e apenas um pequeno número de artesãos era capacitado para a execução desta arte, sendo assim muito bem remunerados. As peças eram caríssimas e somente os nobres da época podiam usufruir de tal luxo. Atravessando os séculos e chegando à Era Cristã, o tricô foi a técnica escolhida para a fabricação de redes de pesca.
Na Irlanda e na Escócia, cada clã possuía uma identificação padronizada: os motivos (conjuntos de pontos artísticos em que eram tricotados seus agasalhos) formavam um desenho em relevo, único para cada grupo.
Por conta disso até os dias de hoje a técnica do tricô é considerada uma arte muito nobre!
Na Europa Medieval o tricô manual representava uma importante indústria e evoluiu em sofisticação por volta do século 16.
Os fios naturais de origem:
animal - (bicho-da-seda,coelho, boi-almiscarado, lhama,carneiro, ovelha e camelo).
vegetal - algodão e linho.

Possuem espessuras e aparências diversas.Hoje tricotar e usar um agasalho 100% natural é um privilégio. Os fios de pura lã são mais rústicos e menos macios. A pura lã é como o couro, não esquenta o corpo e ajuda a manter sua temperatura ideal. É por isso que, até hoje, os beduínos cobrem-se totalmente com mantos deste tipo de lã. Somente assim eles conseguem sobreviver nos desertos, onde as temperaturas são altíssimas durante o dia e baixíssimas à noite.
Aprender a tricotar é como aprender qualquer outra técnica. No começo pode ser um pouco difícil, já que você nunca teve a oportunidade de trabalhar com um par de agulhas e um fio. Como o início do aprendizado é mais lento, com o exercício diário nos tornamos especialistas.
O tricô, bem como qualquer tipo de trabalho manual, é uma arte, ou seja, uma técnica que não é apenas executada pelo sexo feminino. É relaxante, e ao mesmo tempo traz rendimentos financeiros. Seja o artista profissional ou semi-profissional.
O tricô é uma técnica que tece, ponto a ponto, a peça escolhida. Assim, é uma arte que, se confeccionada a mão, transforma-se em uma peça única e extremamente valorizada.

Tricotando conversamos com amigos para combater o stress, realizando alguma coisa.

Veja nesse site: http://www.do-knit-yourself.com/

São lugares onde a gente se encontra, conversa, trabalhamos com tricô ou croché, bebericamos café ou chá, ou nos dias mais quentes, degustamos uma cervejinha! "Um antídoto contra os ritmos frenéticos que a vida nos impõe." Se vocês pensam que relaxar trabalhando com o tricô é só para os comuns mortais como nós, vocês se enganam. Entre um "click" e outro, Uma Thurmann, Kate Moss, Madonna, Sarah Jéssica Parker, Sharon Stone, Demi Moore, o durão Mell Gibson e o "Gladiator" Russell Crowe foram surpreendidos tricotando. Este último confirma que o tricô não é somente coisa de mulheres.
Na Inglaterra, as confecções das malhas eram feitas somente por homens. Nas Ilhas Swan, os artífices dos maravilhosos e famosos sweaters eram rudes marinheiros. Comentava-se que o tricô era um dos seus hobbies preferidos e parece que confeccionavam com prazer "longuíssimos" cachecóis - O Mell prefere o crochê. Nos Estados Unidos os apaixonados são mais de 40 milhões.
Julia Roberts se deixou contagiar com esta nova paixão e voltou ao cinema como atriz do filme tirado do romance de Kathleen Jacobs"  O clube do tricô de sexta-feira à noite!
Por causa das atrizes que frequentam os "cafés do tricô" (knit café), eles se tornaram locais da moda e se alastraram no mundo todo. O mais "trendy" de Nova York se chama "II punto" e seu slogan é:

"Coma, tricote e seja feliz"

Me apaixona a idéia que tudo se resuma em um só fio que se entrelaça com outros para formar um tecido feito de vários fios diferentes, diferenciados ou misturados a outros.


 

Um comentário:

  1. Linda a estória! Não conhecia..estou querendo começar!!!!

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